Netflix desistiu de comprar a Warner Bros. Discovery por pressão do governo Trump, diz John Malone

 

A Netflix desistiu de comprar a Warner Bros. Discovery (WBD) depois de ser informada de que o governo Trump bloquearia a operação, segundo o bilionário John Malone, grande acionista da WBD. A declaração foi dada na quarta-feira (21), durante o International Council Summit do Paley Center for Media, e joga nova luz sobre a disputa que terminou com a fusão entre Paramount e Warner Bros.


De acordo com Malone, a Netflix estava prestes a avançar com a proposta quando recebeu o recado da administração americana de que não teria chance de conseguir aprovação regulatória nos Estados Unidos. Na avaliação dele, foi esse aviso que levou o gigante do streaming a abandonar a compra da Warner. Malone não detalhou como a mensagem foi transmitida, e admitiu que havia opiniões divergentes dentro da WBD sobre a saída da Netflix, embora o resultado tenha sido mais do que satisfatório para os acionistas.


A linha do tempo ajuda a entender o caso. Em fevereiro de 2026, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, foi à Casa Branca para se reunir com autoridades, e a empresa retirou a proposta no mesmo dia. Pelos termos da negociação com a WBD, a Netflix ainda tinha quatro dias para responder à última oferta da Paramount. Com a saída da concorrente, a Paramount elevou modestamente sua oferta pela WBD inteira e fechou o acordo com US$ 31 por ação, além de garantias de financiamento.


A Netflix, porém, conta outra história. Em entrevista à Bloomberg, Ted Sarandos afirmou que Donald Trump foi totalmente neutro em relação à transação e que a Netflix desistiu porque a WBD considerou a oferta da Paramount superior. Ele também disse que a reunião na Casa Branca não teve nada fora do comum. Ainda assim, parlamentares democratas questionaram o encontro e pediram esclarecimentos à então procuradora-geral Pam Bondi, alegando favoritismo político.


No campo regulatório, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou em junho que não contestaria a fusão entre Paramount e Warner Bros. Em julho, a Califórnia e outros 11 procuradores-gerais estaduais entraram com ações contra o negócio, mas chegaram a um acordo no mês passado, o que permitiu a conclusão da operação.


Com isso, a Paramount pagou US$ 110 bilhões na compra alavancada da Warner Bros. Discovery, uma das maiores transações de fusões e aquisições da história da mídia e do entretenimento. O caso segue em evidência por reunir Netflix, Paramount, Warner Bros., o governo Trump e versões conflitantes sobre o que realmente levou a Netflix a deixar a disputa.



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