Produtora de "Dark Horse" pode levar multa de até R$ 100 mil da Ancine

 

Ancine autua produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, por gravações não declaradas no Brasil. Multa pode chegar a R$ 100 mil.


A produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de uma polêmica com a Agência Nacional do Cinema (Ancine). O órgão regulador autuou a empresa Go Up Entertainment por não ter comunicado oficialmente as gravações realizadas em território brasileiro, uma exigência prevista na legislação que regula produções audiovisuais estrangeiras filmadas no país.


Segundo a Ancine, a irregularidade está diretamente ligada à falta de aviso prévio sobre as filmagens de Dark Horse, ocorridas em 2025 em São Paulo. As regras do setor determinam que qualquer produção estrangeira rodada no Brasil precisa estar sob responsabilidade de uma empresa registrada na agência, que deve apresentar documentos oficiais como contrato de produção, plano de filmagem e passaportes de todos os profissionais estrangeiros envolvidos no projeto.


No documento de autuação, a Ancine descreveu a infração como "produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira Dark Horse sem comunicar o fato à Ancine". A multa prevista para esse tipo de irregularidade varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil, e o valor definitivo ainda depende de uma decisão da Superintendência de Fiscalização da Ancine, esperada para as próximas semanas.


O filme Dark Horse tem gerado repercussão desde que foi anunciado. A produção retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, com destaque para o atentado a faca sofrido pelo então candidato durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. O elenco é liderado por Jim Caviezel, ator norte-americano mundialmente conhecido por interpretar Jesus Cristo no filme A Paixão de Cristo, que agora dá vida ao ex-presidente brasileiro nas telas. A estreia do longa nos cinemas dos Estados Unidos está marcada para 11 de setembro de 2026.


Apesar da repercussão internacional, até o momento não existe nenhum pedido formal de registro para o lançamento comercial de Dark Horse no Brasil, tampouco esclarecimentos oficiais completos sobre a logística das gravações feitas em solo paulista. A Ancine segue investigando pontos como a classificação da obra — se ela deve ser tratada como produção nacional ou como filme estrangeiro rodado no país — e qual foi, de fato, o papel exercido pela Go Up Entertainment na produção.


Para evitar a penalização, a produtora precisa regularizar sua situação junto à agência, apresentando toda a documentação exigida pela legislação de cinema brasileira. O desfecho do caso, incluindo o valor final da multa, deve ser definido ainda neste mês, mantendo Dark Horse e a polêmica em torno de sua produção no radar do noticiário sobre cinema e política no Brasil.



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