Lançado em 2023, "Oppenheimer" é um filme dirigido por Christopher Nolan que narra a vida de J. Robert Oppenheimer, físico teórico conhecido como o "pai da bomba atômica". Baseado no livro "American Prometheus", de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o longa acompanha a trajetória do cientista desde seus anos de formação acadêmica na Europa até sua liderança no Projeto Manhattan, o programa secreto responsável pelo desenvolvimento das primeiras armas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial.
A narrativa se estrutura em múltiplas linhas temporais, intercalando cores e preto e branco para diferenciar as perspectivas subjetivas de Oppenheimer e os eventos posteriores, incluindo as audiências de segurança que colocaram em xeque sua lealdade aos Estados Unidos durante a era do macarthismo. Essa escolha estética reforça a complexidade moral do personagem, evitando uma abordagem linear e convencional de cinebiografia.
Cillian Murphy interpreta o protagonista com intensidade contida, capturando o conflito interno de um homem que via na ciência tanto uma ferramenta de progresso quanto um instrumento de destruição em massa. O elenco de apoio inclui nomes como Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr. e Florence Pugh, todos contribuindo para retratar o ambiente político e científico da época com riqueza de detalhes.
Tecnicamente, o filme se destaca pela fotografia de Hoyte van Hoytema, pela trilha sonora tensa e envolvente composta por Ludwig Göransson, e pelo uso extensivo de efeitos práticos, incluindo a recriação do Teste Trinity sem recorrer a CGI. A obra foi amplamente aclamada pela crítica e consagrada no Oscar 2024, vencendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante, entre outras.
Final explicado
O desfecho do filme se concentra menos em eventos espetaculares e mais nas consequências psicológicas e políticas das ações de Oppenheimer. Após o sucesso do Teste Trinity e o uso das bombas em Hiroshima e Nagasaki, o cientista passa a ser assombrado pela culpa e pelo peso moral de ter contribuído para uma arma capaz de aniquilar a humanidade. A cena em que ele discursa para os trabalhadores do Projeto Manhattan, celebrando o sucesso, é perturbadoramente intercalada com visões de destruição que só ele parece enxergar.
Paralelamente, a trama acompanha as audiências de segurança conduzidas contra Oppenheimer nos anos 1950, nas quais suas antigas ligações com movimentos de esquerda e comunistas são usadas para desacreditá-lo publicamente e revogar sua autorização de segurança. Essas cenas revelam a manipulação política por trás do processo, orquestrada em parte por Lewis Strauss, personagem interpretado por Robert Downey Jr., cujas motivações pessoais de ressentimento e ambição são reveladas gradualmente ao espectador.
O filme intercala essa audiência com uma sessão de confirmação de Strauss no Senado, anos depois, em que sua tentativa de se tornar secretário de Comércio fracassa justamente por conta da forma como tratou Oppenheimer. Essa estrutura em paralelo demonstra como a injustiça cometida contra o cientista acabou, de certa forma, se voltando contra seu algoz, embora isso não represente uma redenção real para Oppenheimer, cuja reputação e carreira já haviam sido irreparavelmente destruídas.
Na cena final, um flashback revela uma conversa entre Oppenheimer e Albert Einstein, sugerindo que o físico temia ter iniciado uma reação em cadeia capaz de destruir o mundo, não em sentido literal e nuclear, mas em termos da corrida armamentista que sua criação desencadearia entre as nações. A imagem que encerra o filme, mostrando o planeta consumido por explosões nucleares, funciona como uma metáfora visual do legado ambíguo de Oppenheimer: o homem que, ao tentar antecipar e conter uma ameaça, temia ter se tornado o catalisador de sua própria profecia sombria.
Onde assistir
O filme está disponível nos catálogos da: Apple TV, Prime Vídeo, Google TV, YouTube, Mercado Disney+, Claro TV+.
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