A Lista: Sabia mais sobre o filme

 

"A Lista" é uma comédia dramática dirigida por José Alvarenga Jr. O filme é baseado na peça homônima de Gustavo Pinheiro e Guilherme Piva e acompanha uma professora aposentada que, ao se aproximar de sua jovem vizinha, embarca em uma jornada de redescobertas e transformações pessoais. A produção tem um diferencial que chamou atenção do público antes mesmo da estreia: as protagonistas são mãe e filha na vida real.


A trama acompanha Laurita, professora aposentada moradora de Copacabana, que se vê obrigada a estabelecer uma relação com uma vizinha décadas mais nova, a cantora lírica Amanda. A jovem se oferece para fazer as compras de Laurita durante um período de isolamento, e desse gesto nasce uma amizade que atravessa a diferença de gerações entre as duas. O filme expande o universo da peça original, aprofundando vínculos e inserindo personagens novos que dão mais camadas à história.


O elenco reúne nomes de peso da dramaturgia brasileira: Tony Ramos como Antenor, antigo colega de Laurita cuja presença resgata lembranças do passado, e Letícia Colin como Carolina, filha da protagonista. Participações especiais de veteranos como Rosamaria Murtinho, Betty Faria, Tony Tornado, Reginaldo Faria e Zezeh Barbosa reforçam o time e trazem um tom nostálgico à produção.


Nos bastidores, a história é ainda mais especial: a peça nasceu em 2020, durante a pandemia, estreando num teatro vazio para uma plateia conectada por computador. Foi a primeira vez que Lilia Cabral e Giulia Bertolli contracenaram diante das câmeras, e a atriz descreveu o momento como a realização de um sonho antigo. Crítica e público reagiram bem: a obra recebeu avaliações majoritariamente positivas, destacando a sensibilidade da adaptação, as atuações das protagonistas e o equilíbrio entre humor e emoção.





Final explicado


O final de "A Lista" caminha na direção que o título da peça sempre sugeriu: não é um "final de reviravolta", mas de reconciliação. Segundo Lilia Cabral, o filme ficou mais poético em relação à peça original e traz esperança "sem demagogia ou ingenuidade" — uma síntese que resume bem para onde a trama caminha nos últimos atos.


Ao longo da narrativa, as intolerâncias iniciais entre Laurita e Amanda cedem espaço ao afeto, à medida que as duas descobrem que sua solidão nasce de razões parecidas. É esse reconhecimento mútuo — de que o isolamento de cada uma tem raízes emocionais semelhantes, ainda que vividas em gerações diferentes — que sustenta o clímax emocional do filme e prepara o terreno para a resolução dos conflitos entre as duas.


A própria Lilia Cabral resume a proposta do desfecho ao dizer que as pessoas talvez não mudem completamente seus comportamentos, mas é possível que reavaliem sua visão de mundo e dos outros ao seu redor. Esse é o tom que guia o encerramento: mais do que uma virada de trama espetacular, "A Lista" entrega uma resolução sobre amadurecimento afetivo, com Laurita e Amanda saindo transformadas pelo vínculo que construíram, e os núcleos familiares e vizinhos de Copacabana reafirmando a ideia central da obra — a de que afeto e conexão são possíveis mesmo entre gerações que, à primeira vista, pouco teriam em comum.


Vale registrar um ponto curioso pós-exibição: apesar da recepção positiva, o filme não entrou no catálogo do Globoplay logo após ir ao ar na TV aberta, o que gerou certa repercussão entre o público que esperava rever a história em streaming — algo atribuído a questões de distribuição e janelas de licenciamento dos conteúdos dos Estúdios Globo. Isso fez com que o "final" da experiência, para boa parte do público, ficasse mesmo restrito à exibição única na TV aberta, reforçando o caráter de acontecimento televisivo que a estreia teve.

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