De Pai Para Filho: Sabia mais sobre o filme

 

Dirigido por Paulo Halm, "De Pai Para Filho" é um drama nacional que mistura elementos de comédia romântica e fantasia para contar a história de um reencontro tardio — e improvável — entre pai e filho. O longa é estrelado por Juan Paiva no papel de José, um jovem de 24 anos, e Marco Ricca como Machado, ex-tecladista de uma banda de rock oitentista chamada Capa Preta. A produção é assinada pela Canhota Filmes, com coprodução da Globo Filmes e da RioFilme, e distribuição da ArtHouse e Filmes do Estação.


A trama acompanha José ao deixar sua cidade natal rumo ao Rio de Janeiro após receber a notícia da morte do pai, um músico decadente e esquecido que ele mal conheceu, já que foi abandonado ainda criança. Ao chegar para lidar com a herança deixada por Machado, José descobre que o pai já foi cremado e que suas cinzas deveriam ser espalhadas em um lugar especial — que José desconhece por completo, dado o distanciamento entre os dois ao longo dos anos.


O toque de fantasia surge quando o fantasma de Machado reaparece, tentando se reconectar com o filho, ainda que sem sucesso à primeira vista. A virada emocional da história acontece quando José conhece Kat, uma menina de 12 anos vivida por Valentina Vieira, que tinha aulas de piano com Machado e também perdeu o próprio pai. É por meio dela que José começa, aos poucos, a se abrir para compreender e perdoar a figura paterna ausente.


Além da linha central entre pai e filho, o roteiro tece um segundo arco romântico: enquanto Kat ajuda José a se reconciliar com a memória de Machado, o espírito do músico atua como uma espécie de guia sentimental para que o filho conquiste o coração de Dina, mãe de Kat, interpretada por Miá Mello. A crítica especializada apontou que, apesar de boas atuações — com destaque para Marco Ricca no papel do fantasma roqueiro — e do uso simbólico da música como fio condutor emocional, o filme não busca investigar a ambiguidade sobre se a morte de Machado foi suicídio ou acidente, além de recorrer a alguns clichês narrativos ao longo da trama.





Final explicado


O final do filme caminha para uma reconciliação simbólica entre José e a memória do pai. Ao longo da jornada, o rancor que José carregava por ter sido abandonado na infância vai se dissolvendo à medida que ele passa a compreender melhor quem foi Machado — não apenas como a figura ausente que o magoou, mas como um homem também marcado por falhas, fracassos e arrependimentos próprios. Esse processo de humanização do pai é conduzido, em grande parte, pela cumplicidade que José desenvolve com Kat, que enxerga em Machado uma figura mais generosa do que aquela que o filho conheceu.


O desfecho da linha espiritual do filme se resolve quando José finalmente descobre — ou decide — qual é o lugar especial para espalhar as cinzas do pai, cumprindo assim o pedido deixado por Machado. Esse gesto funciona como o ponto culminante do processo de luto e perdão do protagonista: ao se despedir simbolicamente das cinzas, José também se despede do ressentimento que carregava, permitindo que o fantasma do pai finalmente encontre algum tipo de paz ou possa seguir em frente.


Paralelamente, o arco romântico entre José e Dina chega a um desfecho positivo. A ajuda "espiritual" de Machado ao longo da trama — tentando aproximar o filho da mãe de Kat — culmina na aproximação afetiva entre os dois personagens, unindo as duas famílias fragmentadas em uma só. Esse final feliz reforça o tom de dramédia do filme, equilibrando o peso emocional do luto com uma resolução mais leve e esperançosa para os vivos.


Em suma, o filme fecha seu ciclo com uma mensagem de superação: ao final, o perdão supera a mágoa, o luto dá lugar ao amor e à esperança, e uma nova família se forma a partir dos laços criados entre José, Kat e Dina. É um desfecho que privilegia a redenção emocional dos personagens vivos em detrimento de qualquer resposta definitiva sobre o passado de Machado, reforçando que a proposta do longa está menos em explicar o pai e mais em curar a relação — ainda que tardiamente e apenas em espírito — entre pai e filho.
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