Cidade Perdida (2022) é uma comédia de ação dirigida pelos irmãos Aaron e Adam Nee, estrelada por Sandra Bullock e Channing Tatum. O filme acompanha Loretta Sage, uma escritora reclusa de romances de aventura que, após anos escrevendo histórias ambientadas em civilizações perdidas, se vê presa em uma aventura real muito parecida com os enredos que ela mesma criou. A produção é uma homenagem bem-humorada aos filmes de aventura dos anos 80, como Romancing the Stone, atualizando a fórmula com humor contemporâneo e uma química irresistível entre os protagonistas.
A trama começa quando Loretta é sequestrada pelo excêntrico bilionário Abigail Fairfax, interpretado por Daniel Radcliffe, que acredita que ela pode ajudá-lo a encontrar uma coroa lendária escondida em uma ilha remota. O vilão convicto de que os livros de Loretta contêm pistas reais sobre tesouros arqueológicos, força a escritora a acompanhá-lo na expedição. A premissa é deliberadamente absurda e abraça esse aspecto com leveza, sem tentar se levar a sério em nenhum momento.
Channing Tatum interpreta Alan Caprison, o modelo que estampa as capas dos livros de Loretta e que, na visão dela, é apenas uma bela fachada sem muita substância. Quando ela é sequestrada, Alan decide partir sozinho para o resgate, motivado por sentimentos que ele mesmo mal consegue articular. A dinâmica entre os dois personagens é o coração do filme: ela inteligente e cínica, ele ingênuo e entusiasmado, formando uma dupla cômica que sustenta bem o ritmo da narrativa durante toda a projeção.
O filme conta ainda com uma participação especial memorável de Brad Pitt no papel de Jack Trainer, um agente de resgate hipercompetente e carismático. Sua presença na trama é breve, mas funciona como um dos pontos altos do humor, subvertendo expectativas de maneira cirúrgica. Cidade Perdida não reinventa o gênero, mas cumpre com maestria o que se propõe: ser um entretenimento leve, bem executado e cheio de charme, que agrada tanto aos fãs de comédia romântica quanto aos de filmes de aventura.
Final explicado
No ato final, Loretta e Alan chegam à localização da coroa lendária dentro de uma gruta subterrânea na ilha. Fairfax consegue recuperar a relíquia, mas a ganância o faz ignorar os sinais de que o lugar está prestes a desabar. A sequência é construída com bom ritmo de ação, alternando momentos de tensão com alívio cômico típico da proposta do filme, mantendo o espectador entretido sem nunca elevar o tom para algo genuinamente ameaçador.
Fairfax acaba sendo engolido pela gruta em colapso enquanto tenta escapar com a coroa, recebendo um fim irônico e condizente com seu perfil de vilão obcecado. Alan e Loretta conseguem escapar da estrutura que desmorona, em uma fuga frenética que homenageia claramente as sequências de aventura clássicas do cinema dos anos 80. O desfecho da ameaça principal é rápido e direto, priorizando a resolução emocional dos personagens em detrimento de uma grande batalha final.
Com o perigo superado, o filme resolve o arco romântico central de forma previsível, porém satisfatória. Loretta, que passou toda a história resistindo à ideia de que Alan poderia ser mais do que aparentava, finalmente reconhece os sentimentos que havia reprimido. Alan, por sua vez, demonstra que por trás da aparência de modelo descomplicado existe alguém genuinamente corajoso e devotado. O beijo dos dois funciona bem dentro da lógica interna do filme, sem forçar emoções que a história não havia construído adequadamente.
Na cena final, Loretta volta a escrever, desta vez inspirada pelas aventuras reais que viveu e com uma perspectiva completamente renovada sobre sua própria vida e obra. O desfecho reforça a mensagem central do filme: que sair da zona de conforto, mesmo que de forma involuntária e caótica, pode transformar uma pessoa. É uma conclusão reconfortante e coerente com o tom leve da produção, encerrando a história com o mesmo espírito despretenioso e bem-humorado que a caracterizou do início ao fim.
Onde assistir
O filme está disponível nos catálogos da: Apple TV, Prime Vídeo, Google TV, YouTube.