Um vídeo hiper-realista criado por inteligência artificial colocou dois dos maiores astros de Hollywood frente a frente em uma luta cinematográfica — e o resultado foi tão convincente que rapidamente saiu do entretenimento para virar caso jurídico. A simulação digital com Tom Cruise e Brad Pitt viralizou nas redes sociais, mas também acendeu um alerta vermelho na indústria do cinema por possíveis violações de direitos autorais e uso indevido de imagem.
O conteúdo foi gerado pelo Seedance 2.0, ferramenta de criação de vídeos por IA desenvolvida pela ByteDance, mesma empresa controladora do TikTok. O sistema permite criar cenas complexas e realistas a partir de comandos de texto simples, algo que vem transformando a produção audiovisual. No caso do vídeo que ganhou destaque, os dois atores aparecem em uma intensa cena de ação no topo de um prédio, como se estivessem em um blockbuster de Hollywood — mesmo sem jamais terem participado dessa gravação.
A repercussão chamou a atenção da Motion Picture Association, entidade que representa grandes estúdios de cinema dos Estados Unidos. A associação denunciou a plataforma e afirmou que houve “uso não autorizado de obras protegidas por direitos autorais nos EUA em larga escala”. Segundo o comunicado, ao oferecer um serviço “que opera sem salvaguardas significativas contra a violação de direitos autorais”, a empresa estaria “desrespeitando leis de direitos autorais bem estabelecidas que protegem os direitos dos criadores e sustentam milhões de empregos americanos”. A organização ainda declarou que a companhia “deve cessar imediatamente sua atividade ilegal”.
O episódio reforça um debate cada vez mais frequente no setor de entretenimento: até onde a inteligência artificial pode ir na recriação de rostos, vozes e performances sem autorização? Ferramentas de IA generativa vêm evoluindo rapidamente e já conseguem produzir vídeos com aparência profissional, efeitos visuais complexos e personagens extremamente fiéis a celebridades reais. Para os estúdios, isso levanta preocupações sobre copyright, direitos de imagem e proteção do trabalho artístico.
Com o crescimento de termos como “IA generativa”, “vídeo por inteligência artificial”, “deepfake”, “direitos autorais no cinema” e “tecnologia em Hollywood” dominando as buscas online, o caso do Seedance 2.0 se torna um marco na discussão global sobre o futuro do audiovisual. A polêmica mostra que, enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, a indústria do entretenimento corre para estabelecer limites claros — tentando equilibrar inovação, criatividade e proteção legal em um cenário cada vez mais digital.
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