Paramount acusa Netflix de compra ilegal da Warner

 

A possível compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix ganhou um novo e importante capítulo e passou a movimentar não só o mercado do entretenimento, mas também o cenário político dos Estados Unidos. A Paramount decidiu se posicionar oficialmente contra o acordo e enviou uma carta ao Congresso norte-americano afirmando que a transação pode ser considerada “ilegal” sob as leis antitruste.


Segundo o portal Deadline, o documento assinado pelo diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, diz que a fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery representaria um risco direto à concorrência no setor de streaming, já que fortaleceria ainda mais a liderança da Netflix em um mercado que, segundo a empresa, já é altamente concentrado. Para a Paramount, o negócio seria “presumivelmente ilegal” por ampliar de forma excessiva o poder de uma única plataforma.


A principal crítica está na forma como as autoridades podem definir o mercado relevante para analisar a operação. A Paramount argumenta que limitar a análise apenas ao streaming por assinatura faz sentido, enquanto ampliar esse conceito para incluir plataformas gratuitas, como redes sociais e serviços de vídeo aberto, distorce a realidade do setor. No texto, a empresa chega a classificar essa interpretação mais ampla como um tipo de “antitruste psicodélico”, reforçando que esse enquadramento não refletiria a concorrência real entre os serviços pagos de entretenimento.


O contexto da disputa envolve uma negociação bilionária que inclui os ativos da Warner Bros. Discovery, como seus estúdios de cinema, canais de TV e o streaming HBO Max. A proposta da Netflix combina pagamento em dinheiro e ações, o que tornaria a empresa ainda mais dominante em termos de catálogo, alcance global e poder de distribuição de filmes e séries.


Apesar da repercussão, a carta enviada ao Congresso não interrompe automaticamente o processo. O acordo ainda depende da avaliação de órgãos reguladores, que devem analisar possíveis impactos sobre a concorrência ao longo de 2026. A movimentação da Paramount, no entanto, adiciona pressão política e jurídica ao negócio, aumentando o nível de escrutínio sobre a fusão.


Com isso, a tentativa de compra da Warner pela Netflix deixa de ser apenas uma negociação corporativa e passa a simbolizar um debate maior sobre concentração no mercado de streaming, regulação de grandes empresas de tecnologia e os limites das fusões bilionárias no entretenimento global. O desfecho desse caso pode influenciar não só o futuro das empresas envolvidas, mas também os rumos da indústria audiovisual nos próximos anos.



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