O anúncio do acordo Disney OpenAI voltou a agitar a indústria do entretenimento global em dezembro de 2025. A Walt Disney Company confirmou um investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pela plataforma de geração de vídeos Sora, em um contrato de licenciamento de personagens para inteligência artificial. Esse movimento tem implicações diretas sobre direitos autorais, uso de IA e propriedade intelectual de grandes franquias de cultura pop.
O acordo permitirá que usuários criem vídeos curtos com mais de 200 personagens icônicos da Disney, incluindo figuras de Star Wars, Marvel, Pixar e outras séries e filmes clássicos, usando prompts de texto na ferramenta Sora. Parte desse conteúdo gerado poderá até ser exibido no serviço de streaming Disney+ a partir de 2026, marcando uma nova fase para conteúdos baseados em inteligência artificial associados a propriedades de estúdios.
“O Acordo Disney com a OpenAI Parece Sancionar o Roubo do Nosso Trabalho”
A reação mais incisiva veio do Writers Guild of America (WGA), o sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos, que enviou um comunicado contundente aos seus membros criticando o acordo. A entidade afirmou que:
“O anúncio da Disney com a OpenAI parece sancionar o roubo do nosso trabalho e ceder o valor do que criamos a uma empresa de tecnologia que construiu seu negócio às nossas custas.”
Segundo a WGA, companhias de IA, incluindo a OpenAI, teriam “roubado vastas bibliotecas de obras pertencentes aos estúdios e criadas por membros da WGA e trabalhadores de Hollywood para treinar seus sistemas de IA”. O sindicato declarou que irá se reunir com a Disney: “para investigar os termos deste acordo, incluindo a extensão em que os vídeos gerados por usuários utilizam o trabalho dos membros da WGA. Continuaremos lutando para proteger os interesses criativos e econômicos de nossos membros no contexto da tecnologia de IA.”
Segundo a mensagem da WGA aos seus membros, “empresas como a OpenAI roubaram vastas bibliotecas de obras pertencentes aos estúdios e criadas por membros da WGA e trabalhadores de Hollywood para treinar seus sistemas de inteligência artificial. Temos reiteradamente solicitado que os estúdios tomem medidas legais para defender a valiosa propriedade intelectual que ajudamos a criar.”
Detalhes do Acordo e Reações da Indústria
O acordo entre Disney e OpenAI tem duração prevista de três anos e coloca a Disney como primeiro grande parceiro de licenciamento de conteúdo para a plataforma Sora, permitindo o uso de personagens animados, mascarados ou criaturas – excluindo retratos de atores e vozes reais, conforme pactuado com sindicatos da indústria.
Embora a Disney tenha defendido o investimento como um passo estratégico para explorar novas formas de contar histórias com tecnologias de IA, integrando ferramentas como ChatGPT internamente e oferecendo experiências digitais inovadoras, a resposta de sindicatos como a WGA e a SAG-AFTRA (que representa atores e dubladores) destaca que essa transição para inteligência artificial no entretenimento ainda enfrenta forte debate sobre ética, propriedade intelectual e proteção de talentos criativos.
O Que Está em Jogo no Uso de IA e Personagens Licenciados
O centro da controvérsia gira em torno do uso de tecnologia de IA generativa para criar conteúdo com personagens estabelecidos sem expandir os direitos sobre as criações originais de roteiristas e demais profissionais criativos. Isso levanta questões importantes sobre como os dados de obras existentes são usados para treinar modelos de inteligência artificial, e se esse processo valoriza ou prejudica os criadores que contribuíram com esses materiais ao longo de décadas.
Além disso, o fato de parte do conteúdo gerado poder ser exibido no Disney+ sinaliza uma nova fronteira para plataformas de streaming, que podem combinar experiências interativas com inteligência artificial e narrativa tradicional, mas também intensifica o debate sobre quem detém o valor resultante da criatividade digital gerada por IA.
O acordo Disney OpenAI de US$ 1 bilhão é um marco na relação entre estúdios tradicionais e tecnologia de inteligência artificial, abrindo portas para novas formas de engajamento com personagens e conteúdo. No entanto, a forte crítica do sindicato dos roteiristas (WGA) ressalta que ainda há desafios significativos na conciliação entre inovação tecnológica e proteção dos direitos criativos e econômicos de profissionais da indústria audiovisual. Com encontros marcados entre a WGA e a Disney, as próximas semanas serão decisivas para entender como esse modelo de parceria pode evoluir diante das preocupações de roteiristas, atores e outros criadores de conteúdo.
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