O filme “O Escândalo” (2019), dirigido por Jay Roach, é um drama baseado em fatos reais que aborda os bastidores da emissora americana Fox News durante a explosão de denúncias de assédio sexual contra o poderoso executivo Roger Ailes. O longa mostra como jornalistas e apresentadoras influentes da rede se uniram para expor o comportamento abusivo que durante anos havia sido silenciado dentro da empresa. A narrativa combina política, mídia e questões de gênero, trazendo à tona um dos casos mais marcantes do movimento #MeToo.
A trama acompanha principalmente três personagens femininas: Megyn Kelly (Charlize Theron), uma das âncoras mais famosas da emissora; Gretchen Carlson (Nicole Kidman), a primeira a abrir um processo contra Ailes; e Kayla Pospisil (Margot Robbie), uma jovem repórter fictícia que representa várias mulheres vítimas de assédio na empresa. Cada uma delas enfrenta dilemas pessoais e profissionais ao decidir se deve ou não denunciar, mostrando o peso do medo, da pressão e da possível destruição de suas carreiras.
Um dos pontos fortes do filme é a maneira como ele humaniza essas mulheres, sem ignorar suas contradições. Megyn Kelly, por exemplo, é retratada como uma figura complexa: uma jornalista conservadora que, apesar de críticas e polêmicas em sua carreira, precisou lidar com a difícil escolha de confrontar o chefe mais poderoso da emissora. Gretchen, por sua vez, aparece como a primeira a romper o silêncio, dando o passo inicial que encorajou outras vítimas a se manifestarem. Kayla, embora fictícia, representa a vulnerabilidade de jovens profissionais diante de homens em posição de poder.
“O Escândalo” também se destaca pela atuações premiadas: Charlize Theron foi indicada ao Oscar e impressionou pela caracterização fiel, Nicole Kidman trouxe intensidade à sua personagem, e Margot Robbie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, emocionou o público com sua fragilidade. O filme, além de expor um caso emblemático de assédio, levanta debates sobre machismo estrutural, a cultura do silêncio e os desafios enfrentados por mulheres no ambiente de trabalho, tornando-se uma obra impactante e necessária no cinema contemporâneo.
Final explicado
No final do filme, a luta das jornalistas contra Roger Ailes ganha um desfecho marcante. Depois de semanas de tensão e especulação, a Fox News finalmente decide agir diante do peso das denúncias de assédio sexual. Gretchen Carlson mantém firme sua acusação judicial, enquanto Megyn Kelly toma a decisão crucial de também expor publicamente os abusos que sofreu no passado. Esse ato de coragem encoraja outras funcionárias da emissora a se manifestarem, mostrando que o silêncio havia protegido Ailes por tempo demais.
O impacto coletivo é tão grande que a rede não consegue mais encobrir a situação. Roger Ailes, até então intocável e visto como um dos homens mais poderosos da mídia, acaba sendo forçado a se demitir. Mesmo deixando o cargo com uma alta indenização, sua reputação e legado ficam manchados de forma irreversível. O filme deixa claro que, apesar da queda de Ailes, o problema estrutural do assédio e da desigualdade de gênero no ambiente corporativo não se resolve com a saída de apenas um homem.
Já a personagem fictícia Kayla Pospisil simboliza as mulheres anônimas que sofrem caladas. No final, ela se afasta da Fox News, reconhecendo que não pode permanecer em um ambiente que perpetua a cultura do silêncio e do abuso. Sua saída contrasta com a permanência de outras jornalistas, ressaltando como cada mulher reage de maneira diferente diante do trauma e da busca por justiça.
O desfecho do filme não traz uma vitória absoluta, mas sim uma mensagem de resistência e transformação. Ele mostra que denunciar exige coragem, mas também pode inspirar mudanças profundas em instituições historicamente dominadas por homens. O caso de Ailes se tornou um símbolo dentro do movimento #MeToo, e o filme encerra sua narrativa lembrando que a luta contra o assédio sexual ainda está longe de terminar, mas que passos importantes já foram dados.
Onde assistir
O filme está disponível nos catálogos da: Apple TV, Prime Vídeo, Google TV.
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